História sem cor, mas com emoção

"- Aqui fala o seu Repórter Esso, testemunha ocular da história"

Sim, Repórter Esso, assim todas as noites começava aquele telejornal com notícias em preto em branco, sem distrações apenas com a emoção dada pela estética, ou por um conceito de arte. Antigamente depois do advento da cor nos filmes populares, ou melhor com a popularização dos filmes coloridos; a fotografia preto e branco ficou lançada no mundo dos fotógrafos de arte. Como se ausência da cor  fosse a única fotografia de arte.
E sim o preto e branco é um processo artístico bem complexo, pois mais que passar uma cena repleta de cores belas e com uma dramaticidade conduzido pela cor e ter que passar esta mesma intenção e intensidade de emocional com a ausência da cor.

Lembro de uma imagem de Salgado, o grande Sebastião Salgado,  que nos apresentou um mundo com ausência da cor, nos apresentando a emoção contida na cena, sem o artificio, maravilhoso, que é a cor. E ele nos brinda com a este pensamento da intensidade da fotografia preto e branco. 

“Com o preto e branco e todas as gamas de cinza, posso me concentrar na densidade das pessoas, suas atitudes, seus olhares, sem que estes sejam parasitados pela cor.”

Ou seja, ele nos apresenta a força dramática que a fotografia PB traz em si.

Mas não significa que a cor seja menos artístico que o preto e branco, pois dominar as cores é muito complicado, não é para qualquer fotógrafo dominar. Este dominar entenda-se como ter o olhar treinado para equalizar estas cores para que falem tudo que desejamos com tendo um equilíbrio nesta comunicação visual.
Voltando ao universo da ausência de  cor e da "simples" escala de cinza que de modo bem direto, como colocado por Sebastião Salgado, é o antiparasita das cores, um elemento que nos leva a leitura mais detalha dos elementos que importam dentro de  uma composição imagética, produzida pelo
choque da luz contra elementos que formam nossa cenaPorquê falei mencionar sobre o choque da luz sobre elementos do quadro...
A não presença da cor nos torna mais contemplativos diante da uma fotografia, e para mim o preto e branco se torna um  templo aonde o silêncio me transporta, de modo mágico para um outro momento e espaço onde meu olhar caminha entre as sombras e a luz; na doce descoberta das formas.

Essa fotografia é a resistência de arte que se alia a tecnologia trazendo uma poesia visual que não está somente contida nas cores que despertam sentimentos e emoções, mas que na ausência das mesmas, nos leva mais uma vez citando, a uma certa contemplação imagética e que rompe a barreira do mundo colorido e mergulha na simples variação tonal entre o branco e o preto num deslizar tranquilo dos olhos. 

Quando olhamos (contemplamos) uma imagem d.e simples tons cinza, paramos e percebemos a grandeza do olhar, deste ou daquele fotógrafo, que abre mão do efeito que a cor traz com toda a provocação do sentido visual e das emoções que estas cores provocam, mas com a ausência das cores provoca-nos a buscar além da imagem vista, é sentir  o que está contido no vazio da não presença da cor.


Necessitamos entender  que o não distrativo do preto e branco não o torna a verdade retratada e sim apenas um recorte da realidade e para ser feito este recorte é preciso parar, analisar de maneira séria. Em resumo ter a paciência de um pescador e a perspicácia de um caçador a observar sua presa e esperar o tempo adequado para a captura deste recorte da realidade.

O preto e branco é uma linguagem, não é simplesmente um click é um olhar sobre a realidade que trabalha com a sensibilidade do espectador e para exemplo cito o filme a Lista de Schindler que começa em cor para para o preto e branco e termina na cor. A sua  narrativa central se passa todo em preto e branco e neste caminho tem apenas a presença de uma cor que é o vermelho. E neste momento percebemos que este contraponto entre cor e tons de cinza apresenta uma narrativa e não um usado desta mistura somente pelo impacto e nos leva a ver que a o contraste da guerra com a sobrevivência da infância e isso feito por uma cor em contraponto direto a ausência de cor no resto de uma imagem.

Para fechar este olhar,  pessoal, sobre a fotografia preto e branco vejo esta como uma  forma de resistência e arte, mas em momento algum superior ou inferior a fotografia colorida ou até mesmo arte superior a cor. Mas com certeza é uma linguagem bem definida e que realmente nos leva a ter um olhar mais contemplativo.



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